por Eduardo Avelar

Primeiramente, gostaria de mandar um grande abraço a todos os colegas arquitetos e decoradores. E por que não aos cozinheiros de plantão? Afinal, estamos falando de profissões e escolhas que, acima de tudo, são temperadas com a busca permanente do prazer.

Fico muito honrado pelo convite feito pela ABC da Construção para participar da Modernos e Eternos BH, cujo conceito de moderno sustentável, além de despojado e simples, aponta para os caminhos que todos estamos trilhando nesta era de pouco tempo para descanso. Foi muito gratificante aceitar o convite da ABC, sabendo que estaria ao lado de uma empresa que nasceu em Minas Gerais e que está indo tão longe com mais de 100 lojas.

Propósito

Hoje, meu objetivo é mostrar a vocês o trabalho cultural e sustentável tenho desenvolvido nos últimos 20 anos. Seguindo minha maior vocação, fui a Paris para estudar por dois anos nas melhores escolas para descobrir de onde vinha tamanha paixão dos franceses por suas culturas gastronômicas regionais.

Entendi que toda a sofisticação das cozinhas parisienses vinha do conceito de regionalidade e tradições. Quando voltei ao Brasil, me dei conta de que o que eu tinha ido buscar estava em Minas Gerais, nos incontáveis fornos, fogões e com os mestres e mestras da culinária mineira.

Projeto Territórios Gastronômicos de Minas Gerais

Desenvolvi uma grande pesquisa ao longo desses últimos 20 anos, percorrendo cerca de 1500 localidades em Minas e conversando com personagens ligados a nossa cultura alimentar. A partir dessa investigação, criei o Projeto Territórios Gastronômicos de Minas Gerais. O estudo está colaborando para a consolidação desta culinária histórica e abrange cada parte deste estado e que a ABC da Construção está presente em inúmeras dessas regiões.

Estamos trabalhando em um potencial produto de exportação cultural e de transformação econômica e social com viés sustentável. Isso porque valorizamos a história, a produção local e o apelo turístico, que nos transformando num destino a ser conhecido pela história, junto da contemporaneidade e qualidade técnica de nossos chefs e cozinheiros.

Ao falar de todas as regiões e suas respectivas culinárias, vamos passar por muitas lojas da rede ABC da Construção e assim, você pode aproveitar pra perceber que tem sempre uma por perto.

Território Central

Definimos 5 grandes territórios gastronômicos e cerca de 20 sub territórios em Minas. O primeiro é o Território Central. Sua principal identidade foi formada através das heranças históricas da estrada real no período da mineração, pela natureza e pela contemporaneidade das cozinhas e de cozinheiros, como o Chef Leo Paixão e tantos outros. E também por produtos excepcionais, como nossas cervejas artesanais feitas em toda região.

O prazer de cozinhar no Território Central – onde estão as lojas de Belo Horizonte, Betim, Bicas, Itabirito, Lafaiete, Lagoa Santa, Mariana, Ouro Branco, Ouro Preto e Santa Luzia – pode ser iniciado com um petisco de boteco da capital dos bares, harmonizado com cervejas artesanais ou com uma quitanda histórica, como o pastel de angu de Itabirito com um belo molho de jabuticabas. Ou, ainda, com um queijo de cabra de Itabirito acompanhado de uma goiabada cascão de São Bartolomeu em Ouro Preto.

Território Cerrado

No Território Cerrado, especificamente no sub território Portal do Cerrado – onde está Sete Lagoas – e no Sub Território Centro Oeste – onde estão Divinópolis e Itaúna -, convidaria o grande chef Rogerio Duarte, de Divinópolis, para me auxiliar no preparo de um risotinho de pequi com carne de Lata Xavante feita na Panela de Ferro. E, como sobremesa, um requeijão de raspa de Itaúna com os maravilhosos doces de caixinha de São Gonçalo do Pará, ali ao lado.

Território da Mantiqueira

No Território Mantiqueira Centro Sul, comeremos o queijo Catauá ou o Taroco de São João. Também tomaremos a cachaça século XVIII, produzida no alambique mais antigo do Brasil, que ainda está em funcionamento. Não podemos nos esquecer do angu de fubá branco de Barbacena, que tem seu lugar. Descendo para o Sub Território Mata Brejauba, o palmito mais delicioso da Mata Atlântica é abundante em Muriaé, Cataguases e Leopoldina. Lugar onde não podemos deixar de utilizar os doces do distrito de Tebas.

Em Rio Pomba, Santos Dumont e Visconde do Rio Branco, no caminho novo da Estrada Real, não poderia faltar os doces queijos, especialmente o do Reino,  que contam a história dessas cidades. Um pouquinho mais a leste, os cafés e os embutidos de Manhuaçu, na serra do Caparaó, fazem a alegria das mesas. Pegando o caminho da capital, não poderiam faltar os doces de leite viçosa e as famosas goiabadas de Ponte Nova.

Descendo para a região do Lago de Furnas, os queijos finos de Lavras, os vinhos de Três Corações e Três Pontas, os cafés maravilhosos de Varginha e a região são os principais destaques para nossa cozinha regional.

Mantiqueira Sul

No Território Mantiqueira Sul, está Itajubá, cidade que disputa o melhor pastel de Milho do mundo com Pouso Alegre. Ainda há São Lourenço, com suas águas, vinhos, cafés e queijos. É de lá que surgiram os deliciosos requeijões cremosos, como o famoso Catupiry. O produto nasceu em Lambari há mais de 100 anos e numa dissidência familiar partiu para São Paulo com a fórmula original mineira.

No Território Mantiqueira Sul, temos ainda a produção de queijos finos, trazidos pelos dinamarqueses, além de azeites de oliva, cervejas, águas minerais, trutas e frutos diversos da Mata Atlântica. Eles formam uma despensa muito rica e instigante para os cozinheiros de plantão.

Já no Território Sul Sudoeste da Mantiqueira, vamos falar das produções de vinhos, queijos, cafés e doces – em especial os de Passos e Pouso Alegre, com aquele doce de leite inesquecível com café -. Além disso, também têm os vinhos de Fortaleza de Minas e Cordislândia, e as caldas, azeites e os cafés premiados de toda a região.

Território dos Rios

Por fim, temos o Território dos Rios, onde, no sub território Rio Doce, estão Ipatinga, Guanhães, Itabira Monlevade e Nova Era. Nessas cidades, a produção artesanal de requeijões escuros, cachaças e rapaduras ainda contam a história da região – apesar da transformação  cultural com influências na diversidade da produção de alimentos,  trazidas pelas grandes empresas que se instalaram no local e atraem famílias de várias culturas diferentes.

Território Espinhaço

O Território Espinhaço começa pela serra do cipó e vai até o norte, passando pelo Serro Diamantina Salinas, entre outras deliciosas minas de comida gostosa. Não precisamos nem falar sobre os vinhos de Diamantina, Cervejas, Queijos do Serro, Cachaças, Morangos de Datas, Cafés da Chapada dentre outras maravilhas históricas desta cadeia de montanhas. Uma reserva da biosfera pela Unesco, que começa bem aqui, ao lado de BH, e vai até o sul do Piauí.

Espero que tenham gostado desta intromissão geográfica sensorial e cultural gastronômica no Modernos e Eternos. Aguardo um convite para cozinhar e desfrutar deste prazer juntos, em cada canto onde vocês estiverem. Isso foi ideia do amigo Daniel, do Atelier ABC, em Lourdes, BH. O que acham? Vamos combinar? Grande abraço a todos! Saudações gastronômicas!

Confira na íntegra: